
Tive a oportunidade de ver Quem quer ser um milionário? apenas nessa semana de férias. De fato, era obrigatório conferir o filme vencedor do Oscar de 2008, com surpreendentes 8 prêmios de 10 em disputa. Muito se falou do filme, quase sempre com elogios calorosos. Eu sempre tive um pé atrás em relação a ele. Mas confesso que fui ver com o coração aberto, tentando me livrar de conceitos prévios.
Logo no início da película, uma questão é levantada sobre o indiano prestes a ganhar o prêmio máximo de um programa de televisão, com a seguinte provocação: Como Jamal Malik conseguiu estar a uma pergunta de conquistar o prêmio de 20 milhões de rúpias?
Vejam as alternativas:
a) Ele trapaceou.
b) Ele é sortudo.
c) Ele é um gênio
d) Está escrito.
De cara, temos de todas as respostas bobas possíveis, apenas uma que, inevitavelmente, seria a escolhida: a letra D. Isso é óbvio. Apesar de ser a mais brega de todas, é aquela que o público gosta mais, a mais emocionante. Ou seja, o filme já começa mal. Eu resolvi seguir em frente.
A história do filme seria boa se não caísse em clichês, em um tom novelesco e maniqueísta. A construção dos personagens, sem querer soar pseudo-intelectual, é rasa. Não existe meio termo, amigos. Na Índia de Danny Boyle, os personagens já nascem completamente bons ou completamente ruins – e o pior, um deles redime-se em cima da hora com a seguinte frase: “Deus é grande.”
Outra coisa que me deixou completamente irritado é a direção péssima de Danny Boyle. Não entendo como uma direção tão irregular pode ter sido tão valorizada. Primeiro, ele tenta – com relativo sucesso e também com relativo fracasso – espelhar-se na direção de Fernando Meirelles em Cidade de Deus, depois insiste em uma técnica bizarríssima e até antiquada – lembra-me alguns videoclipes da década de 80 e 90 - em filmar em câmera lenta, quase como se fotografasse, de forma obsessiva. Até mesmo a modinha de filmar tremendo me incomoda menos do que a câmera lenta de Danny Boyle. Outro aspecto, a fotografia, poderia ser muito melhor e aproveitou menos do que deveria os contrastes da Índia.
Para não ser injusto, o filme tem algumas sequências boas que não tiram o resultado final da mediocridade e do aborrecimento. Eu honestamente acreditava que Crash seria o pior filme a ganhar o principal Oscar desta década. Infelizmente, o vencedor de 2008 compete com ele nesse quesito. O que poderia ser bem diferente se David Fincher não tivesse relativamente fracassado com O curioso caso de Benjamin Button, que apesar de todos os defeitos é muito melhor que Quem quer ser um milionário?.
Alexandre Rios.