segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O Pink e o Cérebro




Navegando pela internet, mais particularmente no site de Luiz Azenha, vi alguns comentários sobre essa eleição da cidade de São Paulo. Vamos lá.


Stella (27/10/2008 - 10:33) Permita-me discordar Azenha, mas a grande me(r)dia, o poder econômico e o neo-coronelismo paulistano elegeram um poste. Agora temos o Pink e o Cérebro governando a capital e o estado, mas para sorte do Brasil, parou aí. Graças a Deus, São Paulo definitivamente não é o Brasil.

Messias Franca de Macedo (27/10/2008 - 11:00) O [verdadeiro] José Serra Elétrica [José Serquécia] que deve ser apresentado ao Brasil. Um político obcecado pelo poder, rancoroso, que faz política não visando o bem comum, e sim objetivando seus espúrios e inconfessáveis interesses sórdidos."...

Eu acho que ele [Kassab] foi uma pessoa fabricada. Ele é uma espécie de Pitta que deu certo. O Pitta foi fabricado pelo Maluf igualzinho o Kassab foi fabricado pelo Serra. Quem era Kassab antes do Serra? Eu mesma nunca tinha ouvido falar dele, assim como ninguém tinha ouvido falar do Pitta. É o Pitta que deu certo. E deu certo porque o PSDB, embora rachado e enfraquecido por divisões internas, se deu conta de que ele era a maneira que tinha de ganhar a batalha contra o PT, que é seu grande adversário..."

[Maria Victoria Benevides CIENTISTA POLÍTICA, 66, Professora titular da Faculdade de Educação da USP e autora de "O Governo Kubitschek" (1976), "A UDN e o Udenismo" (1980), "O Governo Jânio Quadros" (1981) e "O PTB e o Trabalhismo" (1989), entre outros livros - em entrevista a "Folha de São Paulo (27/10/08).]

E sobre a comemoração da vitória:

... Lojas fechadas, noite de domingo, a praça Ramos de Azevedo, no centro, é tradicional refúgio de moradores de rua, cheiradores de cola e usuários de crack. Foi lá que, ontem, aconteceu a festa da vitória de Gilberto Kassab. Dos 3,8 milhões de votantes que escolheram o democrata, menos de mil (segundo a Polícia Militar) compareceram à festa. Sem prática em "festas da vitória", o DEM paulistano usou uma trilha sonora eclética para animar os fiscais de urna e cabos eleitorais que reuniu na praça: tinha "Festa no Apê", de Latino (em ritmo de bate-estacas), "Me Leva" (na voz de Calcinha Preta), "Louvação ao Senhor Jesus" e, é claro, o hino de campanha. "Nesse a gente confia."(...) Às 21h, vereadores da aliança e subprefeitos subiram as escadarias do Teatro Municipal. Ao lado de Wadih Mutran, do partido de Maluf (PP), o tucano Ricardo Montoro era o mais eufórico. Acenava todo o tempo para cabos eleitorais e habitués da praça, como se ele próprio fosse o vencedor nas urnas. "Ué, é ele que é o Kassab?", perguntou uma dama toda de vermelho, que parecia ter entrado na festa errada. Logo depois, estava fumando crack com meninos de rua. O lugar é mesmo barra pesada de noite e muitos já tinham desistido de esperar. Mas às 21h30, Kassab chegou. Falou "muito obrigado" e mais alguma coisa que não se sabe porque o microfone falhou. Dez minutos depois, foi embora. Fim de festa.

Fonte: Laura Capriglione, da reportagem local da Folha


Próximo passo do Pink e Cérebro: Dominar o mundo!


Alexandre Rios.

domingo, 26 de outubro de 2008

Eleições 2008 - Sorria, meu bem





Com mais de 20 pontos de vantagem, Gilberto Kassab vence a disputa pela prefeitura de São Paulo. Acima, dois vídeos bacanas da campanha, que resistiu a agressões e baixarias incontáveis, sempre com alto nível. O PT não imaginava tamanho desastre e é possível que Marta Suplicy nunca mais ganhe uma eleição. Os paulistanos deram o seu recado. Fernando Gabeira perde no Rio de Janeiro por diferença mínima, apesar de ser a cara da cidade. Mas ganha pelo exemplo de hombridade que deu - "você está disposto a pagar qualquer preço para vencer, eu não", como disse a seu adversário em um dos debates. Prometeu não atacar, não sujar as ruas, não gastar demais. Cumpriu rigorosamente. João Henrique leva em Salvador e aplica uma derrota no governador Jaques Wagner. Quem esperava um avalanche petista nesse ano, definitivamente, não deve estar em bons momentos.

Thales Azevedo.

Até quando?










Lucas Caires

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Ô, coisinha tão bonitinha do pai...

Com a divulgação da foto (de Masao Goto Filho), suponho, Mino quer mostrar quão influente e poderoso ele é. E como é independente a revista que ele faz — aquela que dá desconto em assinatura para filiados ao PT e que jamais deixa de ser atendida com a publicidade da secretaria de Franklin Martins.

(Reinaldo Azevedo)

Thales Azevedo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O AC/DC está de volta!

Depois de oito anos de espera, enfim, o AC/DC leva às lojas seu novo cd, Black Ice. Ouvi rapidamente (baixei na internet, admito!) e posso afirmar que o álbum é muito bom, rock and roll ao estilo AC/DC. Aliás, quatro faixas têm "rock´n´roll" no nome, inclusive o primeiro single "Rock´n´roll train", que já pode ser visto no youtube. A lista de músicas do álbum é a seguinte:

"Rock 'n' roll train"
"Skies on fire"
"Big Jack"
"Anything goes"
"War machine"
"Smash ‘n’ grab"
"Spoilin' for a fight"
"Wheels"
"Decibel"
"Stormy may day"
"She likes rock 'n' roll"
"Money made"
"Rock ‘n’ roll dream"
"Rocking all the way"
"Black ice"


Em tempos de decadência musical bandas como o AC/DC fazem falta. Muita falta.


Alexandre Rios.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Bush: Missão Cumprida

Entre a eleição americana em 4 de novembro e a posse do novo presidente, o mundo ainda terá 77 dias de George W. Bush.

Felizmente, Bush não vai escapar tão fácil da História: no mundo das imagens, ou da "indústria cultural", como inventaram Horkheimer e Adorno, Bush acaba de ser escancarado para o grande público no ótimo "W.", novo filme do diretor Oliver Stone ("JFK", "Doors", entre outros). Com uma espetacular e comovente atuação de Josh Brolin no papel do presidente

Mesmo sem ser antipático a Bush (ao contrário), o filme acaba funcionando como mais um prego no caixão do presidente e de sua família, há 200 anos ciscando ao redor do poder nos EUA.

É também um tapa na cara dos americanos que o elegeram duas vezes. Na segunda, por sinal, Bush e os republicanos tiveram uma vitória completa em 2004: no voto popular, no Colégio Eleitoral, na Câmara e no Senado e na maioria dos Estados.

Entre a reeleição de Bush e o final de seu segundo termo agora, os EUA passaram do auge do unilateralismo, da arrogância e do uso da força para um apelo para a cooperação internacional sem precedentes. Se países falissem, a América de Bush seria o mais espetacular caso de quebra da história contemporânea.

Em quatro anos, a sorte dos EUA e de Bush mudaram da água para o vinho, com forte impulso negativo dado pelo comando presidencial e seu pequeno e obtuso núcleo de poder.

Em 2003 e 2004, tive o privilégio de acompanhar em Washington tanto os fatos que precederam a Guerra do Iraque quanto, mais à frente, a reeleição de Bush.

Os EUA eram outro país. Os grandes jornais acreditavam piamente em quase tudo o que o presidente dizia. As pessoas estocavam água, alimentos e pilhas em suas casas a cada sinal de uma nova catástrofe terrorista. O Patriot Act permitia o monitoramento de milhões de telefonemas entre americanos comuns, e o governo enchia a atmosfera com o mais potente medo que pudesse criar.

Assim Bush se reelegeu, ludibriando os fáceis de ludibriar norte-americanos médios com histórias de terror.

O filme de Stone é apenas um sinal do fim melancólico da era Bush. Os então todo-poderosos assessores do presidente --com poder para gravar, interrogar e prender-- são agora expostos de forma inimaginável há quatro anos. A ponto de o principal jornal gay (e gratuito) de Washington, "Blade", questionar em manchete nesta semana: "Is Condie Gay", em referência à nada menos que a secretária de Estado dos EUA, Condollezza Rice -- solteirona assumida como o nosso prefeito Kassab.

Os anos Bush também deixaram que uma indelével rachadura aparecesse na maior economia do mundo. Descobriu-se que os EUA mal teriam crescido nos últimos cinco anos não fosse a propulsão do consumo. Surpresa: ele era financiado por créditos sem lastro que giravam no vazio. O país está quebrado.

A nação mais rica(?) e militarmente poderosa está de calças curtas ao final do reinado de Bush. Mesmo a solução mais coerente para a atual crise --injetar capitais diretamente nos bancos-- partiu de além-mar, do Reino Unido, e foi replicada nos EUA. É tudo incrível.

Mas, por mais extraordinário que pareça, com sua arrogância e ignorância, Bush talvez tenha prestado um imenso serviço.

Se os EUA crescerem muito próximo de zero nos próximos dois ou três anos, o que é muito possível, o tamanho da economia chinesa terá passado de 1/3 da americana para mais da metade. Outros vários emergentes também ganharão nacos maiores nessa participação global.

Ao menos em termos econômicos, o mundo será outro.

Esse talvez seja o principal legado de Bush.

Fernando Canzian, colunista da Folha.

Alexandre Rios.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008