domingo, 9 de novembro de 2008

Quantum of Solace

Cenários bonitos, pelo menos enquanto o filme se passa na Itália, e mais momentos turbulentos, em relação a seu antecessor Cassino Royale, podem divertir e atrair um novo público, mas Quantum of Solace é uma outra - e possivelmente mais forte - decepção para os fãs de James Bond. Daniel Craig retorna ainda mais semelhante a um trabalhador braçal, brutamontes e violento, mas sentimental e abalado pela perda da exageradamente citada Vésper Lynd. Alia-se a uma bondgirl desinteressante e motivada por um desejo de vingança clichê e similar ao seu para combater vilões bobos e mal desenvolvidos. Nem sinal da clássica apresentação "Bond, James Bond", de jetpacks, relógios especiais ou carros invisíveis. A abertura conta com a voz irritante de Alicia Keys. O famoso tema só aparece com a chegada dos créditos finais.

Percebe-se uma tendência de aproximação com a elogiada trilogia Bourne, estrelada por Matt Damon, numa tentativa de modernização que comprometeu elementos essenciais. Algumas cenas históricas da série são homenageadas, como quando uma das vítimas afetivas do irresistível agente aparece assassinada e coberta de petróleo numa cama.

A original é de 007 Contra Goldfinger, ainda com a elegância e o charme incomparáveis de Sean Connery e a dita cuja banhada a ouro. Em outra referência, dessa vez a O Espião Que Me Amava, com Roger Moore, um suposto capanga é derrubado de um prédio após ser segurado pela gravata. Mas nada compensa a frustração de quem gostava até dos tempos de Pierce Brosnan.

Bond também dispara umas boas frases sobre América Latina, cocaína, comunismo, corrupção e afins. O foco do enredo está na Bolívia. Não que o roteiro seja primoroso e ajude muito. Ele segue bem a linha reformista. Se Cassino Royale soava como um filme de ação qualquer, Quantum of Solace consolida essa imagem na era Craig. A euforia por verossimilhança e inovação, simplesmente, não mais permite que James Bond seja James Bond.

Thales Azevedo.

Um comentário:

Alexandre Rios disse...

A diferença de qualidade entre Cassino Royale e Quantum of Solace é enorme. O primeiro é melhor em todos os sentidos. Os vilões são muito mais interessantes, a trilha sonora mais impactante e bem trabalhada e, principalmente, o roteiro é melhor desenvolvido. Por enquanto, mesmo não tendo visto boa parte dos 22 filmes da série, aprovo essa nova retomada do 007. Acho que os produtores estão tentando fazer uma transição pro personagem de Daniel Craig: de agente bruto, pouco sarcástico e sentimental demais até o modelo clássico do 007. Resumindo, Quantum of Solace é apenas uma sequência razoável de um grande filme.

Cassino Royale: Nota 8
Quantum: Nota 6