terça-feira, 15 de abril de 2008

Wish You Were Here - Pink Floyd

A banda inglesa Pink Floyd vinha de uma obra-prima, ‘The Dark Side of the Moon’, conceitual disco de 1973, quando lançou em 1975 ‘Wish You Were Here’, linda homenagem a Syd Barret, ex-vocalista e líder da banda, afastado por problemas psicológicos decorrentes de abuso de drogas alucinógenas, como o LSD, tornando-o esquizofrênico. Syd havia composto quase que inteiramente o primeiro álbum da banda, o incrível 'The Piper At The Gates of Dawn’, sendo, juntamente com o clássico ‘Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band’, dos Beatles, um dos mais conhecidos discos do movimento psicodélico marcante da década de 60. O afastamento o levou à casa de sua mãe, onde passava o tempo destinado à jardinagem, pinturas e atividades domésticas. Roger Waters assumiu, então, a liderança da banda e convidou David Gilmour para completar o espaço vazio que Syd Barret deixara. O Pink Floyd, aos poucos, foi ganhando mais espaço, vendendo muito, com críticas favoráveis, tornando-se uma das bandas mais influentes e respeitadas da história.

Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright e Nick Mason ganhavam, então, o mundo, e encantavam gerações. A influência de Syd Barret nesse processo é inquestionável. Os integrantes sabiam disso. Nada mais justo, então, realizar uma homenagem ao criador da banda, certo? Pois bem, a obra-prima em questão é, então, criada. ‘Wish You Were Here’ tem apenas cinco músicas, mas com uma qualidade fora do comum. Aliás, comum é uma palavra que parece não constar no vocabulário do Pink Floyd, que se destaca por estar sempre inovando, com uma qualidade técnica invejável, comprovada na faixa de abertura do disco.

Em
‘Shine on You Crazy Diamond (Part I-V)’ a homenagem é clara, de forma poética, tocante, mágica e, antes de tudo, sincera. A decadência de Syd, junto com sua genialidade, seu modo incompreensível de ser, tem como plano de fundo a bela voz de Gilmour, completada – e suavizada – com um coral feminino, além de um instrumental extremamente bem elaborado, que chega até ao som marcante de sax, encerrando-a de forma mítica, que emociona. (Lembre-se quando você era jovem/Você brilhava como o sol/Continue a brilhar, louco diamante/Agora há um olhar em teu rosto/Como buracos negros no céu/Continue a brilhar, louco diamante/Você foi pego no fogo cruzado/Entre a infância e o estrelato/Arrastado pela brisa de aço/Vamos, alvo de risos distantes/Vamos, estranho, lenda, mártir/E brilhe!)

Aliás, pra se ter uma idéia do estado do
Syd Barret na época em que o disco estava sendo produzido, ele teria aparecido no estúdio com a cabeça e sobrancelhas raspadas, tão gordo e maltrapilho que os ex-parceiros de banda e homenageadores não reconheceram o gênio decadente, que há menos de uma década atrás havia idealizado e fundado o Pink Floyd. Tal acontecimento deprimiu a todos, mas o motivaram ainda mais a seguir em frente na gravação do disco, apesar de a banda estar, diga-se de passagem, fragmentada, com disputas de ego, em um completo turbilhão, com os membros mal se falando. Se a desarmonia era constante no cotidiano do grupo, o contrário reina nas composições, no instrumental e nas vozes em ‘Wish You Were Here’.

A segunda faixa é
‘Welcome to the Machine’. Nela, os sintetizadores de Richard Wright dão destaque ao clima futurista da música, com um pessimismo marcante, tendo como foco a alienação diante do sucesso, do dinheiro, fracasso e desilusão frente a “máquina”, a indústria fonográfica como um grande organismo promovedor, que transforma e exclui. (Bem-vindo meu filho/Bem-vindo à máquina... No que sonhou? / Tudo bem, te contamos no que sonhar/Sonhou com um grande astro/Ele tocava uma guitarra/E sempre comia bife no bar/E adorava dirigir seu Jaguar).

‘Have a Cigar’ segue a linha da música anterior. A decepção com a fama continua, de forma mais leve, com um clima mais rock and roll clássico, ainda assim aliado aos sintetizadores. Todo o processo da gravação do disco é aqui explicitado, como a pressão das gravadoras visado o lucro imediato. (Nós fomos nocauteados, ouvimos sobre as vendas/Você vai ter de lançar um álbum, você deve isso ao público/Estamos tão felizes que mal podemos contar/Todos são muito inexperientes/Você viu as paradas?) Todas essas mudanças parecem tirar aos poucos a identidade do grupo que se conheceu quando os integrantes ainda eram garotos. Estariam os integrantes, assim como Barret, no “no fogo cruzado entre a infância e o estrelato”? (The band is just fantastic, that is really what I think/Oh by the way, which one's Pink?).

A música mais universal é, sem dúvidas, a que deu o título ao disco.
‘Wish You Were Here’ é mais do que uma homenagem a Syd Barret. Ela é, ao mesmo tempo, para muitas pessoas, qualquer um pode identificar nela traços de suas vidas. O sentimento de perda, do peso de decisões não poderia ser cantado de forma mais bela, em uma das “baladas” mais lindas já feitas, sem dúvidas. (Como eu queria que você estivesse aqui /Somos apenas duas almas perdidas /Nadando num aquário /Ano após ano /Correndo sobre o mesmo velho chão/O que encontramos? /Os mesmos velhos medos /Queria que você estivesse aqui.)

O disco encerra com
‘Shine ou You Crazy Diamond (Part V-IX)’, completando a faixa inicial para fechar as cortinas do espetáculo. Não é tão impactante quanto a primeira parte, mas cumpre seu papel de homenagear o fundador de uma das mais influentes bandas da história. Syd Barret faleceu no dia 7 de julho de 2006 quase como uma lenda, de um potencial enorme que fora impedido, como já disse, por problemas psicológicos decorrentes do abuso de drogas. Mais do que uma bela homenagem, ‘Wish You Were Here’ foi a tentativa da banda em buscar novos objetivos desde o sucesso impactante e comercial do ‘The Dark Side of The Moon’, algo que incentivasse a nova fase artística do grupo. E Syd Barret foi essa força, esse motivo, mais do que merecido.




Nobody knows where you are, how near or how far.
Shine on you crazy diamond.
Pile on many more layers and I'll be joining you there.
Shine on you crazy diamond.
And we'll bask in the shadow of yesterday's triumph,
And sail on the steel breeze.
Come on you boy child, you winner and loser,
Come on you miner for truth and delusion, and shine!

Baixe
aqui o disco!


Alexandre Rios.

6 comentários:

Laíla disse...

Adorei o texto! Muito legal!
Esse CD é perfeito, minha música preferida é, sem dúvidas, "Shine on you crazy diamond". É simplesmente perfeita. Não deixem de ouvir o CD "The piper at the gates of dawn"...muitooo bom!

Que tal fazer um review sobre esse cd pessoal?

Henrique disse...

Aee finalmente um texto bom
=D
nada desse adorador de rolling stones e jogador de volley(evolução da peteca)
Ta de parabens Xandao
abração meu sovietico

Lucas Caires disse...

kkkkkkkkkkk
banda muito boa, está entre as 10 melhores bandas de rock.
mais um disco para minha coleção.

PS: texto muito bem escrito.

Bernardo disse...

Show de bola!!
Muito legal mesmo!
Não sou muito fã de Pink Floyd não, mas admiro muito.

Lucas Caires disse...

Um dos melhores albums da história. Solos fantásticos com toques instrumentais muito bem colocados.
Mais uma vez, um bom tópico.

alexandre rios disse...

Pois é, Caires! Pink Floyd é uma banda fantástica,sem dúvidas. Recomendo 'The Dark Side of The Moon', que ainda é melhor que o 'Wish You Were Here'...