terça-feira, 4 de março de 2008

Barack Hussein "Osama" ?

O papel da internet nas campanhas eleitorais americanas é cada vez mais relevante. Além de ser uma ferramenta que permite comunicação direta entre candidatos e eleitores, a rede também é usada por extremistas para espalhar notícias falsas sobre candidatos adversários. O caso mais conhecido da atual temporada é o boato, que chegou a ser difundido pela emissora de televisão de extrema-direita, a Fox News, de que o pré-candidato Barack Obama, que é cristão, tinha estudado em uma madrassa - uma escola fundamentalista muçulmana. Obama de fato viveu na Indonésia quando criança, mas estudou numa escola pública sem vínculo religioso.

Christopher Hayes, repórter da revista The Nation, investigou e conseguiu chegar à origem do boato, lançado na internet por um republicano que diz ter se baseado em "fontes de Londres", sem identificá-las. A reportagem mostra a dinâmica da campanha, que se baseia em correntes de e-mail e na reprodução de falsidades como se fossem informações factuais. Abaixo, reproduzo trechos da reportagem:

Em 10 de agosto de 2004, duas semanas depois de Obama [Barack, pré-candidato democrata à Casa Branca] ter feito o elogiado discurso na Convenção Nacional Democrata, em Boston, um eterno candidato republicano ao Senado que se descreve como "colunista independente de oposição" chamado Andy Martin divulgou um press-release. Nele, anunciou uma entrevista coletiva de imprensa em que exporia Obama por ter "mentido para o povo americano" e "distorcido a sua própria identidade".

Martin levantou todo tipo de acusações estranhas contra Obama mas focou na suposta tentativa do candidato de esconder o seu passado muçulmano. "Pode ser que o objetivo dele seja colocar em risco Israel", disse Martin em sua declaração. "A religião dele, muçulmana, levantaria sérias dúvidas em muitos círculos judaicos onde Obama tem apoio".

Dias depois de entrevista coletiva de Martin o site conservador Free Republic tocou no assunto, atraindo dezenas de comentários, mas depois daquilo as alegações sobre o passado de Obama sumiram. Mas, no outono de 2006, quando foi divulgado que Obama poderia sair candidato, os murmúrios na internet foram retomadas. Em outubro, um blog conservador chamado Infidel Bloggers Alliance republicou o press release de Andy Martin com o título "Barack Obama está mentindo sobre sua história de vida?". Dias depois o Rumor Mill News também deu publicidade ao press release de Andy Martin em resposta à pergunta de um leitor que queria saber se Obama era muçulmano. Em dezembro, um ativista de extrema-direita, Ted Sampley, publicou na internet uma coluna levantando a possibilidade de que Obama era muçulmano secretamente.

Sampley, que foi co-fundador do Veteranos do Vietnã contra John Kerry [um grupo que fez guerra suja contra o democrata em 2004] e certa vez acusou John McCain de ser agente da KGB [McCain disputou com Bush a indicação do partido Republicano à Casa Branca] baseou sua coluna no press release de Martin. "Quando Obama tinha seis anos de idade", escreveu Sampley, "a mãe dele, ateísta, casou-se com Lolo Soetoro, um muçulmano indonésio, e mudou-se para Jakarta, na Indonésia... Soetoro colocou Obama para estudar numa das escolas wahabistas de Jakarta. O wahabismo é a vertente do islamismo que criou muçulmanos terroristas que agora estão praticando a guerra santa contra o resto do mundo".

Apesar do fato da CNN [canal de notícias dos Estados Unidos] e de outros jornalistas terem desmentido a notícia, a acusação falsa ficou registrada na consciência das pessoas. Um assessor de Obama me disse recentemente que todo dia, quando liga para possíveis eleitores, pelo menos um ou dois deles dizem que não vão votar em Obama porque ele é muçulmano. De acordo com o Google, "Barack Obama Muçulmano" é a terceira busca mais comum para o senador de Illinois. Uma pesquisa de agosto da rede CBS mostrou que, quando perguntados qual era a religião de Obama, os entrevistados se dividiram, metade dizendo que ele é muçulmano e a outra metade dando a resposta correta, protestante."

O pai de Barack Obama é do Quênia e a mãe do Kansas, nos Estados Unidos. Foi o pai dele, que era ateu, quem deu a Barack o sobrenome Hussein, que também tinha no nome. Obama nasceu no Havaí. Quando o pai do senador morreu, a mãe casou-se de novo, razão pela qual o democrata passou parte da infância na Indonésia.

(...)

Na TV Americana, Obama é “confundido” com Osama duas vezes. Chega a ser hilário...



Coincidência?

Pra terminar, uma propaganda da campanha de Hillary Clinton, inspirada no modelo clássico – ou seria clichê? – de ufanismo americano.



(...)

Enquanto isso, os republicanos lançam na internet a campanha: "Quem amedronta mais? Osama, Obama ou a mama de Chelsea?"




Informações coletadas do ótimo blog do jornalista Luiz Carlos Azenha, Vi o Mundo.



Alexandre Rios

4 comentários:

Thales Azevedo disse...

Houve, recentemente, um grande tumulto acerca de uma foto divulgada, em que o Obama está no Quênia, vestido como queniano. Acusaram a campanha da Hillary de ter posto a imagem em circulação. Como uma forma de demonstrar que seu concorrente não é suficientemente americano. As acusações foram negadas e dadas como uma manobra para desviar a atenção da crítica, que me parece justíssima, feita à inexperiência do Obama e à sua complacência com inimigos americanos, como Cuba e Irã. Bem, as fragilidades já o obrigaram a declarar que nunca foi muçulmano, que não é o candidato dos negros, que um de seus ídolos é um republicano e que vai invadir o Paquistão. Com tudo isso, continuam necessárias essas teorias conspiratórias, envolvendo sabotagens, por causa de fotos autorizadas, e supostos trocadilhos perniciosos?

A plataforma da Hillary é um tanto inconstante e pode ser tida como ufanista ou neoconservadora. Mas ainda torço pela vitória dela sobre o Obama. O que é provável que aconteça. Depois, é só esperar pelo McCain.

Lucas Caires disse...

Esses tipos de rumores é um tanto que "natural" (esperado) durante a campanha eleitoral americana, ainda mais se tem-se um candidato negro à presidência no país com o preconceito mais escancarado do globo. Não acredito que haja uma mobilização dos oposicionistas de Obama para passar uma imagem ruim sobre o candidato. Somente rumores inconsistentes e avulsos de eleitores fanáticos.

Reitero: diante as opções de uma candidata que chora em público e faz uma propaganda trash feminista (visto no post) e um lunático militar que defende o aumento de tropas no Iraque, Obama prevalece.

Thales Azevedo disse...

"lunático militar" é um termo, no mínimo, pesado e inconseqüente.

Falcão disse...

Pra que uma "democrata" neoconservadora????,pra que um republicano Bushiano??????


Os EUA precisa mudar,e para isso obviamente o seu governo precisa mudar!!!!! Chega de um governo que se auto entitula democrático e veta os direitos humanos aos seus presos políticos!!! Obama para presidente!!! Visões diferentes,consequentemente atitudes diferentes...menos sanguinárias!!! O mundo precisa de alguem que tente mudá-lo!!E essa mudança pode começar pela maior potência mundial!!!!!