sábado, 1 de março de 2008

My Aim is True - Elvis Costello


Declan Patrick Aloysius MacManus, mais conhecido como Elvis Costello, é um dos grandes nomes da música pop, sem dúvidas. Ele foi um dos precursores do pub rock, movimento que surgiu na década de 70 e que ia contra a tendência progressiva da época, propondo uma volta às décadas de 50 e 60 com o ‘rhythm and blues’. Elvis influenciou – e foi influenciado - por outros estilos, como o punk rock, new wave, country & western, música clássica, além de ter tocado com grandes nomes da música, como Burt Bacharach e Paul McCartney.

Seu primeiro álbum foi lançado em 1977 e é sobre esse clássico que falarei agora. ‘My Aim Is True’ talvez seja um dos discos mais cultuados de Elvis Costello – foi relançado em 2007, celebrando os seus 30 anos. Um jovem Elvis, com suas marcas registradas – óculos estilo Woody Allen, ternos “comportados” e pernas tortas – surge para o mundo. Não foi um sucesso de vendas, mas ainda é lembrado com muita nostalgia pelos seus fãs mais antigos, o que o tornou uma espécie de lenda, só agora devidamente reconhecido.

O disco é contagiante. E a primeira música,
‘Welcome to the Working Week’ consegue essa clima, que perdura por pouco menos de 40 minutos, sem cansar – muito pelo contrário. É uma boa faixa de abertura, bastante direta e dançante, que fala sobre uma garota burguesa e sua falta de preocupação com o mundo, que acha que tudo está bem sem nem ao menos sair de casa e checá-lo.

"I hear you sayin', 'Hey, the city's all right'
When you only read about it in books.
Spend all your money gettin' so convinced

That you never even bother to look."

‘Miracle Man’ segue a mesma linha, com um toque de rebeldia, cantada com um pouco mais de agressividade e desilusão na voz de Elvis.

"Why do you have to say that there's always someone
Who can do it better than I can?
But don't you think that I know that walking on the water
Won't make me a miracle man?"


‘No Dancing’ é uma das melhores faixas do cd, um pouco mais melancólica mas ainda baseada em guitarras rasgadas com poucos acordes. ‘Blame it on Cain’ é bem década de 60, aquele tipo de música que deveria tocar nas pistas de dança de algumas décadas atrás. Elvis canta com uma espécie de atitude egoísta para, digamos, sobreviver jogando a culpa de algo na tal Cain: “Joguem a culpa na Cain, mas por favor não joguem a culpa em mim. Não é culpa de ninguém, mas precisamos de alguém para queimar.”

"Blame it on Cain.
Don't blame it on me.
Oh, oh, it's nobody's fault,
But we need somebody to burn."

As letras das músicas tratam de relações amorosas sem soar clichê, mesmo na balada do disco e, talvez, a melhor faixa.
‘Alisson’ é uma música linda, aquele tipo de música que fica grudada na cabeça, e que nós fazemos questão de deixá-la lá até que, quando menos percebemos, estamos cantando no banho seu refrão.

"Well i see ya got a husband now
But did you leave your pretty fingers
Lying in the wedding cake?
You used to hold him right in your hand
But it took all he could take (…)"

‘Sneaky Feelings’, seguida de '(The Angels Wanna Wear My) Red Shoes' também merecem destaque, são uma espécie de baladinhas cool que Elvis Costello consegue fazer como poucos. Outro clássico do disco é ‘Less Than Zero’, com uma presença marcante da guitarra e da bateria simples, que acompanham a música no ritmo certo, com uma letra mais politizada, que retrata a vida de Mister Oswald, um fascista inglês, e sua trajetória, que culmina com uma possível ida para os USA.

"A pistol was still smoking, a man lay on the floor.
Mister Oswald said he had an understanding with the law
He said he heard about a couple living in the USA.
He said they traded in their baby for a Chevrolet.
Let's talk about the future now we've put the past away…"

Aliás, essa música tem uma história que marcou a carreira de Elvis. Ele deveria tocá-la na sua apresentação no programa ‘Saturday Night Live’, inclusive a tendo ensaiado com sua banda ‘The Attractions’. Na apresentação, eles tocaram apenas o início da música, pararam e começaram a tocar
‘Radio, Radio’, música que os produtores do programa pediram para não tocar devido à sua mensagem anti-corporativista. Elvis aprontou e o programa teve que ser tirado do ar. Esse desafio impediu que ele tocasse em outros programas americanos, só sendo convidado a tocar no ‘Saturday Night Live’ em 1989.

Voltando ao
‘My Aim is True’, a nona faixa, ‘Mystery Dance’, como o nome sugere, é rápida e dançante, bem década de 50 mesmo, que dá ao Costello um pouco do espírito do seu xará, Elvis Presley . ‘Pay at Back’ é vingativa e desiludida frente a uma dívida pessoal. Em ‘I´m Not Angry’, um Elvis raivoso berra no refrão o título da música.’Waiting for the end of the world’ é uma música estranha, meio nonsense. É um ótimo presságio para o disco fechar com chave de ouro com ‘Watching the Detectives’, um clássico que tem como o baixo denso e o teclado ágil os elementos mais importantes na parte instrumental, com uma letra que mais parece um filme em forma de música.

"She is watching the detectives.
'Ooh, he's so cute!'
She is watching the detectives
When they shoot, shoot, shoot, shoot.
They beat him up until the teardrops start,
But he can't be wounded 'cause he's got no heart."

Não é a toa que
‘My Aim is True’ tem uma importância tão grande na música pop. Elvis Costello, que é, ao mesmo tempo, selvagem e manso, rebelde e nerd, dançante e introspectivo, romântico e desiludido, está acima de rótulos. Ele pode ser punk, new waver, pop, country, tanto faz, o importante é que estamos diante de uns artistas mais versáteis vivos. Comparar ‘My Aim is True’ e ‘Imperial Bedroom’, discos que foram lançados com apenas cinco anos de diferença provam o quanto ele está sempre em mutação. Como escreveu o crítico Matt Le May, "com ‘My Aim Is True’ Costello explodiu para dentro da cena punk/new-wave como um mutante híbrido de Buddy Holly e Johnny Rotten. Tinha inteligência transparente, sensibilidade e senso melódico que o tornaram muito mais interessante do que muitos de que seus contemporâneos".

Baixe aqui o disco!



Alexandre Rios.

2 comentários:

Thales Azevedo disse...

Posta o vídeo dos pés elétricos, pra galera.

Depois dos Cafés disse...

Hahahahahaha
Quem quiser ver pode colocar no youtube, "Pump It Up" o nolme da música!