domingo, 2 de março de 2008

Sindicato De Ladrões


Um cais, um sindicato, um assassinato e um inocente. Assim começa um clássico de 1954 sobre máfia, romance e vingança.

O filme se passa numa zona portuária de Nova York, comandada por um sindicato mafioso. Nessa época a lei do silêncio (SM = surdo – mudo) comandava os subúrbios, em que aconteciam diversos crimes por vingança ou simplesmente por atrapalhar os negócios da máfia. Nesse contexto é inserido Terry Malloy (Marlon Brando), ex-boxeador sustentado pelo mafioso Johnny Friendly (Lee J. Cobb), que foi contratado para atrair Joey Doyle (John F. Hamilton) ao terraço do prédio para que os capangas de Johnny Friendly façam o trabalho sujo. O crime se repercute pelo bairro e a irmã do assassinado, Edie Doyle (Eva Marie Saint), vai atrás dos responsáveis. Durante o momento de consolo, Edie tem contato com o padre, Barry (Karl Malden), e ele se oferece a ajudá-la no descobrimento do criminoso, já que a polícia não se impõe no bairro e tem dificuldades na investigação.

Durante um agrupamento de trabalhadores em busca de trabalho (já previamente escolhidos pelo gangster Johnny) o padre convoca–os a falar na, Igreja, sobre suas situações precárias de trabalho, sobre o sindicato que os representam e sobre o assassinato de Doyle, já que muitos o conheciam. Durante a reunião, os trabalhadores encobrem os fatos e cumprem a lei SM. O sindicato manda os capangas atacarem a Igreja e o que possibilita o contato de Terry Malloy e Edie Doyle durante a fuga.

Nessa tensa relação social, começa uma história de amor que possibilita a evolução do personagem Terry Malloy, muito bem interpretada por Marlon Brando (se não fosse ele o filme não seria um clássico) que, antes controlado pelo gangster, muda completamente sua visão crítica do ambiente que freqüentava, provocado pelo arrependimento de atuação do assassinato.

Os personagens secundários seguem sua linha natural. O padre, além de chamar a atenção dos trabalhadores para as suas condições, também ajuda na mudança de comportamento de Terry Malloy. Já Edie não possui somente a atuação de personagem subjacente “mocinha”, ela é um fator decisivo para o arrependimento de Terry sobre o assassinato.

A ambientação do filme é bem trabalhada favorecendo o clima mafioso, em que vemos um sindicato influenciando em toda a região, selecionando empregados para o cais, cobrando altas taxas nas mercadorias desembarcadas e assassinando ao seu bem entender, fugindo completamente dos objetivos de um verdadeiro sindicato. Um submundo marcado por alienação e apatia dos trabalhadores, inconformados com uma vida medíocre e sem dinamismo.

E nesse contexto, Terry perde seu irmão mais velho Charley Malloy (Rod Steiger), que teve de escolher entre sua vida e a do irmão, por conta da atitude rebelde de Terry diante o sindicato. Assim, num sentimento de revolta, Terry Malloy enfrenta os mafiosos em uma atitude surpreendente, marcado na cena final, mais uma vez demonstrando o incrível desenvolvimento do personagem e a maturidade de Marlon Brando no auge de sua carreira.


Lucas Caires

Um comentário:

Thales Azevedo disse...

Indispensável. Brando é o que Hollywood produziu de melhor. A cena com Rod Steiger num táxi é uma das melhores da história do cinema.